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28/6/2019
Economia
Indústria farmacêutica: Brasil continua muito atraente
Valor Econômico

Jornalista: Mareia R. Corradini
27/06/19 - O efervescente mercado farmacêutico no Brasil está atraindo novos investimentos, contratações, empresas internacionais e multiplicando startups brasileiras. “Os laboratórios nacionais estão investindo na compra de operações e ampliação de capacidade de produção para absorver linhas de remédios que os laboratórios estrangeiros não podem manter dentro de casa”, diz Henrique Tada, presidente-executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac). Segundo ele, o fato de o setor crescer a uma taxa média de quase dois dígitos, mesmo nos períodos de crise, anima a expansão dos líderes e atrai os pequenos.

O grupo gaúcho RPH é um dos recém-nascidos no setor. É uma startup, que surgiu em 2008 em uma incubadora no Rio Grande do Sul, e acaba de consolidar seu projeto-piloto na Beneficência Portuguesa (BP), em São Paulo. Agora, está se preparando para “ir para a rua" com seis novas unidades e aporte de capital de fundos de investimentos.

“Nós começamos a RPH incubados, com um médico como sócio, produzindo kits frios para radiofármacos, destinados aos exames de medicina nuclear. No Brasil, só o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) fornece os radiofármacos, que são adicionados aos kit frios (o veículo) para a injeção nos pacientes, ou seja, temos uma rota bastante nacional aqui, com uma relação boa com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que autoriza e supervisiona nossas operações”, diz Rafael Madke, o comandante da RPH. Ele deve inaugurar, no segundo semestre, a primeira unidade “de rua” em São Paulo, para manipulação de injetáveis, já adicionados aos radiofármacos para uso direto em clínicas e hospitais especializados em medicina nuclear.

“Um injetável com radiofármaco pronto tem uma vida útil curta e os seus similares importados custam até R$ 1,5 mil, em decorrência da segurança no transporte e manipulação, e nós começamos a fazê-los por R$ 250 a dose. Como temos que ter unidades de manipulação bem próximas dos principais centros de consumo, vamos abrir seis novas unidades para operar no país, em dois anos”, explica Madke. A empresa atende a maioria das 410 clínicas de medicina nuclear do país, das quais 75% são privadas e 30% do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas o grande salto da companhia está porvir. Recentes pesquisas médicas mostram que o mesmo veículo radioativo, que marca as células ou tecidos para exames, pode conduzir com propriedade e eficiência a medicação de radioterapia. "São os chamados teranóstícos, que resultam da união do diagnóstico por imagem com a terapia em si, na mesma molécula ou moléculas simples, marcadas com radionuclídeos. Isso vai ser um novo boom na medicina nuclear, um mercado para o qual temos mais que multiplicar a empresa”, prevê Madke. Hoje o preço de um teranóstico, na sua linha de produção, sai de RS 350 a R$ 370 a dose.

Mas não são só os pequenos que estão ocupando mercados novos de alta tecnologia. O Laboratório Cristália, que tem parcerias para novas moléculas dentro do laboratório Sincrotom do projeto Sirius (Colisor de Electrons), em Campinas (SP), acaba de inaugurar uma nova fábrica, a primeira farmoquímica oncológica de alta potência, com investimentos de R$ 150 milhões, em Itapira (SP), produzindo seis insumos ativos (IFAS) para medicamentos do tratamento de adenomas e cânceres diversos, substituindo importações.

“O Brasil importava até hoje 100% dos insumos para a produção de medicamentos contra câncer e nosso investimento foi todo com capital próprio”, diz Ogari de Castro Pacheco, acionista e presidente do Cristália. “Acabamos de firmar joint venture com a chinesa Nanjing King-Friend para coparticipação no mercado, tanto do que desenvolvermos aqui quanto o que desenvolvermos lá.”

A União Química investiu RS 60 milhões em pesquisa, especialmente em biotecnologia, na sua controlada Bthek, dedicada a biofármacos, e na joint venture Bionovis (detém 25%, com mais três laboratórios nacionais), para medicamentos biotecnológicos. Das sete fábricas da União, duas são para produção de remédios de marcas de terceiros.

A Natulab, que produz fitoterápicos e ocupa a quinta colocação em medicamentos isentos de prescrição no país, acaba de inaugurar nova fábrica de suplementos alimentares, como derivados do ômega 3 e complexos de cálcio e vitamina D. “A companhia dobrou de tamanho em dois anos e deve crescer 29% em 2019”, diz Wilson Borges, CEO da empresa, que faturou R$ 844 milhões em 2018.

Em março deste ano, a empresa investiu RS 30 milhões na aquisição da marca Horatil, da francesa Biocodex, um probiótico para regulação intestinal, que deve representar cerca de 25% de sua receita neste ano.

Já a indiana ACG inaugurou em abril de 2018, em Pouso Alegre (MG), sua mais moderna fábrica de cápsulas gelatinosas para remédios do mundo, na qual investiu desde 2013 o montante de RS 350 milhões. “Estamos crescendo em todos os segmentos do mercado e projetamos aumento de vendas de 20% neste ano”, afirma Roberson Petrungario, CEO do grupo.

A americana Becton Dickison (BD), da área de suprimentos médicos (seringas, cateteres, agulhas) e equipamentos para laboratórios e hospitais, também inaugurou neste ano uma nova fábrica de tubos para coleta de sangue a vácuo, em Curitiba (PR), na qual investiu ao redor de RS 120 milhões. Além disso, a empresa ampliou sua liderança nacional em equipamentos e suprimentos médicos, após a compra da outra americana, a Bard. “Com essa aquisição fortalecemos nossa presença no Brasil com grande competitividade econômica”, diz Waldan D. de Souza, diretor de assuntos corporativos.

A expansão contínua do mercado atraiu ainda a finlandesa de papéis Ahlstrom Munksjõ, para a produção de papéis finos para bulas de remédios e cosméticos. Segundo Luciano Neves, diretor para a América Latina da empresa, de janeiro a abril deste ano as vendas deste tipo de papel dobraram no Brasil. Tal desempenho animou a empresa a fazer, a partir de agosto, seu maior investimento no Brasil: vai aplicar cerca de US$ 100 milhões na modernização da fábrica de Jacareí (SP), aumentando sua capacidade de revestimento simples e duplo de papéis, depois de ter adquirido, em 2018, a unidade de Caieiras (SP) da MD Papéis.

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