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18/5/2017
Economia
Empresas de remédios genéricos buscam modelo alternativo
Portal UOL

Jornalista: Ari Altstedter, agência Bloomberg
Dezesseis anos atrás, Glenn Saldanha assumiu a empresa do pai, que fabricava cópias de remédios inovadores, e adicionou uma aposta própria: em vez de apenas imitar medicamentos antigos, sua empresa familiar também tentaria inovar com alguns remédios completamente novos.

Os investidores reclamaram, os concorrentes ficaram confusos e o pai de Saldanha não acreditou muito. No entanto, Saldanha perseverou no árduo processo de tentativa e erro para descobrir novos fármacos. Agora ele afirma que a Glenmark Pharmaceuticals, que tem sede em Mumbai, está na reta final e que um de seus candidatos deve chegar ao mercado nos próximos cinco anos.

Qualquer avanço poderia chegar em cima da hora, porque nos próximos anos a Glenmark e o restante do setor de medicamentos genéricos, de US$ 200 bilhões, vão descobrir abruptamente que têm muito menos remédios novos para copiar. Ao mesmo tempo, o lucro dos produtos existentes está diminuindo à medida que órgãos reguladores, como aAdministração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), aumentam as aprovações para gerar mais concorrência.

Esta combinação significa que o negócio dos remédios genéricos tal como era conhecido por veteranos como Saldanha, 46, está chegando ao fim. Empresas de todo o mundo estão correndo para descobrir o que virá pela frente, desde as pequenas, como a de Saldanha, até a israelense Teva Pharmaceutical Industries e a Mylan NV, com sede nos EUA, que estão entre os maiores produtores mundiais de genéricos.


Durante décadas, o negócio dos medicamentos genéricos seguiu um modelo simples de crescimento: esperar que um remédio químico perdesse a patente e depois copiá-lo. Mas 2018 promete ser uma das últimas grandes safras do setor, com US$ 27,8 bilhões em tratamentos que perderão a proteção. A safra do ano seguinte será quase dois terços menor e encolherá ainda mais um ano depois, de acordo com uma pesquisa realizada por analistas da Oppenheimer Holdings.
"As empresas precisam encontrar um modelo de negócios alternativo", disse Saldanha em uma entrevista na sede da Glenmark.

Alguns, como Saldanha, estão se voltando para a inovação, embora a reação mais comum até agora tenha sido consolidar. Como os órgãos reguladores estão aprovando remédios genéricos a um ritmo mais rápido -- a FDA aprovou 800 novos no ano passado, um recorde --, há mais concorrência em mais tratamentos e os preços estão se deteriorando mais rapidamente. Isso significa que os seis meses de exclusividade concedidos pelos órgãos reguladores à primeira empresa que transforma um remédio patenteado em genérico são cruciais. Comprar outras empresas é uma maneira de coletar mais produtos desse tipo.

A Teva, a maior produtora de genéricos do mundo, comprou o negócio de genéricos da Allergan em 2016 por cerca de US$ 40 bilhões e a Mylan comprou a Meda, com sede na Suécia, por cerca de US$ 10 bilhões. As negociações continuaram neste ano com a Stada Arzneimittel, que chegou a um acordo para sua venda a empresas de private equity, e a fabricante alemã de genéricos Fresenius, que afirmou que compraria a Akorn, com sede em Illinois, nos EUA.

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