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7/2/2018
Geral
EMS eleva aposta em internacionalização
Valor Econômico

Jornalista: Stella Fontes
07/02/2018 - Maior farmacêutica do Brasil, a EMS elevou a aposta para se consolidar como multinacional de origem brasileira e avançar na Europa. Cerca de três meses depois de comprar o laboratório sérvio Galenika, a empresa do grupo NC, controlado pela família Sanchez, fez uma oferta pela unidade europeia de medicamentos genéricos da francesa Sanofi. A operação pode chegar a US$ 2,4 bilhões.

Com a potencial aquisição, a EMS ganharia musculatura no Leste Europeu, onde chegou com a compra da Galenika e a unidade da Sanofi, a Zentiva, tem forte atuação. A farmacêutica brasileira estabeleceu sua primeira base fabril fora do país a partir da aquisição do laboratório, o terceiro maior da Sérvia, e garantiu presença importante em mercados dos Balcãs e Leste Europeu. "A EMS se tornaria uma multinacional de fato", avalia um executivo do setor.

Fundada na República Tcheca, a Zentiva passou às mãos da Sanofi em 2008, em transação que avaliou o ativo em US$ 2,6 bilhões. No processo atual de venda, o valor atribuído de US$ 2,4 bilhões corresponderia a cerca de 12 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), estimado em US$ 200 milhões. Para efeito de comparação, a EMS teve receita líquida de R$ 2,92 bilhões em 2016, com Ebitda de R$ 485 milhões.

Em nove meses até setembro, as vendas líquidas do negócio de genéricos da Sanofi, incluindo todas as regiões, alcançou € 1,34 bilhão, uma parcela pequena das vendas líquidas totais de € 26,36 bilhões da farmacêutica.

Especificamente no terceiro trimestre, as vendas da área caíram 0,9%, a € 433 milhões, pressionadas pela queda de 7,1% na Europa, para € 183 milhões.

A Zentiva foi colocada à venda no fim de 2015 e, além de fundos de investimento e da EMS, atraiu a indiana Torrent, que também teria apresentado uma proposta, segundo a agência de notícias Reuters. A expectativa é a de que o negócio seja concluído ainda no primeiro semestre.

O Valor apurou que a EMS tem olhado oportunidades no mercado de genéricos fora do país e direcionou a atenção ao mercado europeu após a aquisição da Galenika, em novembro, mediante investimentos de € 46,5 milhões. O tamanho da nova aquisição, porém, pode alavancar a farmacêutica, na avaliação de fontes da indústria.

No fim de 2016, a alavancagem financeira do laboratório estava em apenas 0,2 vez (pela relação entre dívida líquida e Ebitda), segundo cálculo do BTG Pactual. Mas poderia chegar a 7 vezes com a eventual compra na Europa, segundo uma fonte do setor. Diante disso, a percepção é a de que a EMS poderia fechar o negócio em parceria com um investidor financeiro.

No fim de novembro, a equipe de análise do BTG dedicou um extenso relatório à EMS, intitulado "Um líder de uma indústria com sólidos fundamentos". O banco destacou o "histórico de manutenção de uma sólida estrutura de capital", suportada pela forte geração de caixa. O prazo médio da dívida de cinco anos é visto como confortável e a necessidade de investimentos para os próximos anos era baixa.

Além disso, a geração de caixa, escreveram os analistas Matheus Chermauth e Beatriz Watanabe, "sustentou altos níveis de pagamento de dividendos sem alavancar a estrutura de capital - nos últimos três anos, a companhia distribuiu em média R$ 247 milhões por ano (cerca de 93% do lucro)".

Com a potencial aquisição, a EMS acelera sua estratégia de internacionalização, que ganhou força a partir de 2013 com a constituição de uma empresa de inovação radical nos Estados Unidos, a Brace Pharma.

Desde 2006, a empresa tem um acordo técnico-científico com o laboratório de pesquisa italiano MonteResearch.

Para executivos da indústria, farmacêutica faz sentido a líder no mercado brasileiro buscar outras regiões, num momento em que há cada vez menos novas moléculas a serem exploradas pelas fabricantes de genéricos. "Esse é um negócio medido por unidades, escala. É preciso ter tamanho. Mas o mercado europeu é diferente do brasileiro, com competidores bem maiores", afirma uma fonte. A israelense Teva e a Sandoz, do grupo Novartis, são grandes competidores naquele mercado.

Procurada, a Sanofi informou, em nota, que "recebeu diferentes manifestações de interesse pela aquisição do negócio de genéricos no mercado europeu", mas não fará comentários adicionais. A EMS também informou que não vai comentar o assunto.

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